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Regra de Vida

 

Ruínas do primeiro Mosteiro Carmelita - Monte Carmelo - Israel

Introdução A Regra do Carmo foi escrita por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, entre os anos 1206-1214 para os eremitas latinos do Monte Carmelo, que vieram a ser os Carmelitas. Foi aprovada pelo Papa Honório III em 30 de Janeiro de 1226 e confirmada por Gregório IX em 6 de Abril de 1229 e novamente por Inocêncio IV em 8 de junho de 1245. Por fim, este mesmo Papa, depois de a ter adaptado às condições de vida do ocidente, aprovou-a definitivamente e solenemente, de forma oficial, como Regra em sentido próprio (Regula Bulata) no dia 1 de Outubro de 1247.

La Bruna

Aprovou definitivamente com algumas modificações através da bula Quae Honoris Conditoris. A bula original se perdeu, mas há uma cópia do texto latino da Regra do Carmo no Arquivo Secreto Vaticano. A bula era do tipo de documento Pontifício chamado “littera sollemne bullata”, ou seja, o Documento Papal mais solene da época. Com a aprovação definitiva da Regra, os carmelitas se tornaram, de Direito, uma verdadeira Ordem Religiosa entre os Mendicantes.

Vida Orante

A Regra de Sato Alberto

• CAPÍTULO 1 - Alberto, chamado por graça de Deus a ser Patriarca da Igreja de Jerusalém, aos amados filhos em Cristo, B. e outros eremitas que vivem sob a sua obediência junto à Fonte no Monte Carmelo: a salvação no Senhor e a bênção do Espírito Santo.

• CAPÍTULO 2 - Muitas vezes e de muitos modos os Santos estabeleceram como cada um, qualquer que seja o estado de vida a que pertença ou modo de vida religiosa que tiver escolhido, deve viver em obséquio de Jesus Cristo e servi-lo fielmente com o coração puro e boa consciência.

• CAPÍTULO 3 - No entanto, como nos pedistes que vos déssemos uma fórmula de vida de acordo com o vosso projeto à qual deveis manter fiéis no futuro:

• CAPÍTULO 4 - Determinamos, em primeiro lugar, que tenhais um de vós como prior, o qual há-de-ser eleito para este serviço com o consenso unânime de todos ou da parte mais numerosa e madura. A ele prometa obediência cada um dos outros e se empenhe em guardar de verdade na prática o que prometeu, juntamente com a castidade e a renúncia à propriedade.

• CAPÍTULO 5 - Podereis fixa os vossos lugares de residência em locais solitários ou onde vos forem doados, desde que sejam apropriados à vossa forma de vida religiosa, de acordo com o que o prior e os irmãos acharem mais conveniente.

Cristo Pantocrator

• CAPÍTULO 6 - Além disso, tendo em conta a disposição do lugar em que vos decidistes a estabelecer, tenha cada um de vós a sua própria cela separada, conforme lhe for indicado por disposição do próprio prior e com o consentimento dos irmãos ou da parte mais madura.

• CAPÍTULO 7 - Faça-se, porém, de tal forma que comais num refeitório comum o alimento que vos for distribuído, escutando juntos alguma leitura da Sagrada Escritura, onde isto puder ser observado sem dificuldade.

• CAPÍTULO 8 - A nenhum irmão será permitido, a não ser com a licença do prior em exercício, mudar-se do lugar que lhe for indicado ou trocá-lo com outro.

• CAPÍTULO 9 - A cela do prior esteja junto à entrada onde habitardes, para que seja ele o primeiro a acorrer aos que vierem a esse lugar; e depois proceda-se em tudo o que for necessário de acordo com o seu critério e disposições.

• CAPÍTULO 10 - Permaneça cada um na sua cela ou perto dela meditando dia e noite na Lei do Senhor e vigiando em orações, a não ser que esteja ocupado em outros justificados afazeres.

• CAPÍTULO 11 - Os que sabem recitar as horas canônicas com os clérigos, recitem-nas segundo as disposições dos Santos Padres e o costume aprovado pela Igreja.  Os que não sabem, recitem vinte e cinco vezes o Pai Nosso nas vigílias noturnas, exceto aos Domingos e Solenidades, em cujas vigílias determinamos que se duplique o número mencionado, de modo que o Pai nosso seja recitado cinqüenta vezes. A mesma oração seja recitada sete vezes no louvor da manhã e de igual modo sete vezes em cada uma das outras horas, à exceção de Vésperas, nas quais deverei recitá-la quinze vezes.

• CAPÍTULO 12 - Nenhum dos irmãos diga que algo é sua propriedade, mas tende entre vós tudo em comum, sendo distribuído a cada um que for preciso pela mão do prior – ou seja, pelo irmão por ele designado para este serviço – levando em conta a idade e as necessidades de cada um .

Modo de Vida

 

• CAPÍTULO 13 - Contudo, na medida em que vos for necessário, podeis ter burros ou mulas e criar algum tipo de animais ou de aves para alimentação.

• CAPÍTULO 14 - O oratório, na medida do possível, seja construído no meio das células, onde cada dia pela madrugada vos deveis reunir para participar na celebração Eucarística, onde isso puder ser feito sem dificuldade.

• CAPÍTULO 15 - Da mesma maneira, nos domingos, ou noutros dias se necessário for, deveis reunir-vos para tratar da observância na ida comum e do bem-estar espiritual das pessoas. Igualmente, na mesma ocasião, corrijam-se com a caridade as transgreções e as culpas que porventura forem encontradas em algum dos irmãos.

• CAPÍTULO 16 - O jejum, devem observá-lo todos os dias, á exceção dos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até ao dia da Ressurreição do Senhor, a não ser que alguma enfermidade ou debilidade do corpo ou outro justo motivo aconselhem a dispensar do jejum, pois a necessidade não tem lei.

• CAPÍTULO 17 - Abstetenham-se de comer carne, a não ser que esta deva ser tomada como um remédio em caso de enfermidade ou debilidade. E como, durante as viagens, vos vedes obrigados a mendigar com maior freqüência o vosso sustento, para não incomodardes a quem vos hospeda, fora das vossas casas podereis comer alimentos preparados com carne. Também vos será permitido comer carne durante as viagens por mar.

• CAPÍTULO 18 - Uma vez que a vida do homem sobre a terra é um tempo de provação e todos os que querem viver piedosamente em Cristo sofrem perseguição e como além disso o vosso adversário, o diabo, anda rodando por aí como um leão que ruge, procurando a quem devorar, esforçai-vos, com toda a diligência, em vos revestir da armadura de Deus, para que possais resistir às insídias do inimigo.

• CAPÍTULO 19 - Os rins devem ser cingidos com o cíngulo da castidade e o peito protegido  por pensamentos santos, pois está escrito: “o pensamento santo te guardará”. a couraça  da justiça deve ser usada como veste, a fim de amardes o Senhor, vosso Deus, de todo o coração, com toda a alma e com todas as  forças e  o vosso próximo como a vós mesmos.  Sempre e em tudo deve ser empunhado o escudo da fé, com o qual possais apagar todos as setas inflamadas de malícia do inimigo, pois sem fé, é impossível agradar a Deus.  O capacete da salvação deve ser colocado na cabeça, para que espereis a salvação unicamente do Salvador, que salva seu povo dos seus pecados. A espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, habite com abundância na vossa boca e nos vossos corações.  E tudo o que tiverdes de fazer, seja feito na Palavra do Senhor.

• CAPÍTULO 20 - Deveis fazer algum trabalho, para que o diabo vos encontre sempre ocupados, não conseguindo encontrar alguma brecha para penetrar, garças à vossa ociosidade, nas vossas almas.  Nisto tendes não só o ensinamento como também o exemplo do Apóstolo São Paulo, por cuja boca Cristo falava, o qual  foi constituído e dado por Deus como pregador e mestre dos gentios na fé e na verdade. Se o seguirdes, não podereis extraviar-vos. Diz ele: “Estivemos entre vós no meio de trabalhos e fadigas, labutando dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não que não tivéssemos esse direito, mas quisemos apresentar-nos a nós mesmos como um exemplo para que nos  imitásseis.  Com efeito, quando ainda estávamos convosco, dávamos esta regra: se alguém não quer trabalhar, também não coma. Ora, constou-nos que alguns de vós levam uma vida irrequieta, sem nada fazer. A esses ordenamos e suplicamos no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem em silêncio, ganhando o pão que comem”. Este caminho é santo e bom; sigui-o.

Profeta Santo Elias

• CAPÍTULO 21 - O Apóstolo recomenda o silêncio, quando manda que é nele que se deve trabalhar.  E do mesmo modo , como afirma o profeta: “é no silêncio que se cultiva a justiça”;  e ainda: “no silêncio  e na esperança estará vossa força”. Por isso, determinamos que guardeis silêncio depois da recitação de Completas até à conclusão da Hora de Prima do dia seguinte.  Fora este tempo, embora a observância do silêncio não seja tão rigorosa, abstenham-se com tanto mais cuidado do muito falar. Porque, tal como está escrito e não menos o ensina a experiência, “no muito falar não faltará o pecado”; e “quem fala inconsideradamente causa a sua pró pia ruína”, e, também, “quem muito fala prejudicar-se a si mesmo”; e o Senhor no Evangelho: “de toda a palavra vã  que os homens proferirem, dela prestarão contas no dia do juízo”.  Faça pois cada um de vós uma balança para as suas palavras e rédeas curtas para a sua boca, para que não venha a escorregar e a cair de repente por causa da sua língua numa queda sem cura que o leve á morte.  Vigie cada um, como diz o profeta, sobre a sua própria conduta para não pecar com a língua, e esforce-se diligentemente e com prudência  por observar aquele silêncio em  que se cultiva a justiça.

 

Vida Contemplativa

• CAPÍTULO 22 - Tu, porém , irmão B., e quem quer que for designado prior  depois de ti, tende sempre mente e cumpri na prática  o que o Senhor diz no Evangelho: “Quem quiser ser o maior entre vós, seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós, seja o vosso escravo.

• CAPÍTULO 23 - Também vós, irmãos,honrai humildemente o vosso prior, pensado, mais do que na sua pessoa, em Cristo, o qual o pôs acima das vossas cabeças e diz aos que estão à frente das Igrejas: “Quem vos escuta, é a mim que escuta; quem vos despreza, é a mim que despreza”. A fim de não serdes condenados como réus por menosprezo, mas para que possais merecer pela obediência a recompensa da vida eterna.

• CAPÍTULO 24 - É isto que vos escrevemos brevemente, dando-vo uma fórmula de vida segundo a qual deveis viver. Se entretanto alguém fizer mais do que o prescrito, o próprio Senhor lhe retribuirá, quando voltar. Use-se, porém, de discrição, que é a moderadora das virtudes.